{"id":86,"date":"2010-10-18T18:21:53","date_gmt":"2010-10-18T20:21:53","guid":{"rendered":"http:\/\/sandro.eng.br\/wordpress\/?p=86"},"modified":"2010-10-18T18:21:53","modified_gmt":"2010-10-18T20:21:53","slug":"o-professor-mais-popular-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sandro.eng.br\/wp\/?p=86","title":{"rendered":"O professor mais popular do mundo"},"content":{"rendered":"<p><strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/encrypted-tbn0.gstatic.com\/images?q=tbn:ANd9GcS8N4KBQuToOgzc-gwBK8042_H0xCN1g4MKmej8om8Zhsh1rRMBFw\" alt=\"\" name=\"I8LsyMdKjTCEcM:\" data-src=\"https:\/\/encrypted-tbn0.gstatic.com\/images?q=tbn:ANd9GcS8N4KBQuToOgzc-gwBK8042_H0xCN1g4MKmej8om8Zhsh1rRMBFw\" data-sz=\"f\" \/><\/strong><\/p>\n<p><strong>As miniaulas de um ex-gestor de fundos j\u00e1 foram vistas mais de 23 milh\u00f5es de vezes no YouTube e chamaram a aten\u00e7\u00e3o do Google e de Bill Gates.<\/strong><br \/>\nPara um estudante exemplar, dono de dois diplomas do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e um de Harvard, Salman Khan tem uma vis\u00e3o supreendentemente pessimista do ensino nas escolas tradicionais: &#8220;As aulas s\u00e3o um saco. Metade dos alunos dorme. Eu dormi. Voc\u00ea pode conferir, est\u00e1 tudo na internet. Te desafio a assistir a duas ou tr\u00eas delas at\u00e9 o fim. Se aguentar, te pago um jantar&#8221;. Khan, que tamb\u00e9m \u00e9 professor, n\u00e3o pode garantir que ningu\u00e9m pegue no sono durante as aulas que ele d\u00e1, afinal n\u00e3o conhece nenhum de seus alunos, n\u00e3o trabalha numa escola, n\u00e3o suja as m\u00e3os de giz nem corrige provas. Khan \u00e9 um professor de YouTube. Ou melhor: ele \u00e9 o professor superstar do YouTube.<\/p>\n<p>Suas 17 000 aulas em v\u00eddeo j\u00e1 foram vistas mais de 23 milh\u00f5es de vezes, em menos de quatro anos. Seu canal tem mais audi\u00eancia que todos os v\u00eddeos combinados de dezenas de professores do MIT. Seus alunos est\u00e3o espalhados pelo mundo e incluem at\u00e9 Bill Gates, que acompanha as aulas com seus filhos. Khan \u00e9 o professor mais popular do mundo por acaso. Depois de se formar em Harvard, ele diz que &#8220;se vendeu&#8221;. Foi trabalhar como gestor em um fundo hedge de pequeno porte. Saiu de l\u00e1 &#8220;com menos de 1 milh\u00e3o de d\u00f3lares&#8221; e tentou abrir um fundo pr\u00f3prio. Veio a crise financeira de 2008, e a ideia nem saiu do papel. Na \u00e9poca, Khan ajudava uma prima de 12 anos que tinha dificuldade em matem\u00e1tica. Ela estava em New Orleans, ele, em Boston. Chegou a criar um software de exerc\u00edcios, mas depois descobriu que a melhor solu\u00e7\u00e3o seria gravar v\u00eddeos e coloc\u00e1-los no YouTube, pois poderia ensinar uma vez e ser visto v\u00e1rias vezes. No come\u00e7o, os alunos eram outros parentes. Em um m\u00eas, chegaram os primeiros e-mails de agradecimento de estranhos. Os v\u00eddeos come\u00e7aram a ser vistos centenas, depois milhares de vezes. &#8220;Meu emprego estava chato, e eu me interessava cada vez mais pela grava\u00e7\u00e3o das aulas&#8221;, diz Khan. Em 2009, abandonou o emprego para dedicar-se integralmente ao que batizou de Khan Academy .<\/p>\n<p>O nome sugere alguma pompa ou pretens\u00e3o, mas a Khan Academy n\u00e3o poderia ser mais despojada. O site \u00e9 basicamente uma cole\u00e7\u00e3o de links para os v\u00eddeos no YouTube. O forte ainda \u00e9 a matem\u00e1tica, mas j\u00e1 h\u00e1 aulas de biologia, qu\u00edmica, f\u00edsica e finan\u00e7as. Os v\u00eddeos s\u00e3o rudimentares. Khan grava tudo num pequeno est\u00fadio, na verdade um closet da casa onde mora com a mulher e o filho pequeno, na regi\u00e3o de S\u00e3o Francisco. Ele nunca aparece nos v\u00eddeos. Ouve-se apenas sua voz, e na tela preta v\u00e3o surgindo os tra\u00e7os que ele desenha numa prancheta conectada a seu computador. Apesar dos poucos recursos tecnol\u00f3gicos, o entusiasmo da narra\u00e7\u00e3o, seja ela sobre a crise de cr\u00e9dito ou um conceito de trigonometria, \u00e9 percebido imediatamente. Khan \u00e9 um professor apaixonado. As aulas s\u00e3o curtas: t\u00eam entre 10 e 15 minutos, e os temas s\u00e3o sempre bem espec\u00edficos. &#8220;O YouTube pode ser uma excelente ferramenta de aprendizado&#8221;, diz Lisa Nielsen, autora de um blog sobre inova\u00e7\u00f5es na educa\u00e7\u00e3o e consultora para a digitaliza\u00e7\u00e3o das escolas de Nova York. &#8220;Os estudantes podem procurar o que quiserem, quando quiserem. E mais: os alunos buscam as aulas. Esse interesse \u00e9 essencial para o aprendizado.&#8221;<\/p>\n<p>As aulas est\u00e3o todas no YouTube, mas n\u00e3o apenas l\u00e1. Por interm\u00e9dio de uma parceria com a ONG World Possible, que providencia servidores com aulas gratuitas em pa\u00edses pobres, as aulas da Khan Academy j\u00e1 foram levadas para Eti\u00f3pia, Serra Leoa, Uganda, Nepal, \u00cdndia e Equador. &#8220;Levamos esse conte\u00fado at\u00e9 para \u00e1reas rurais dos Estados Unidos onde a conex\u00e3o de internet nas escolas \u00e9 ruim&#8221;, diz Norberto Mujica, um dos fundadores da World Possible. Todo o conte\u00fado da academia \u00e9 e sempre ser\u00e1 gratuito, diz Khan. Ele ficou sem sal\u00e1rio durante quase um ano e sempre resistiu \u00e0 venda de publicidade. Mas a iniciativa logo chamou a aten\u00e7\u00e3o de gente disposta a contribuir para manter a ideia viva. A Khan Academy recebeu 350 000 d\u00f3lares em doa\u00e7\u00f5es de indiv\u00edduos. No final de setembro, foi escolhida uma das cinco vencedoras do projeto 10100, um concurso realizado pelo Google que teve mais de 150 000 inscri\u00e7\u00f5es de 170 pa\u00edses. O pr\u00eamio de 2 milh\u00f5es de d\u00f3lares ser\u00e1 usado para traduzir as aulas para outras l\u00ednguas, entre elas o portugu\u00eas, diz Khan. Outra ideia \u00e9 criar uma estrutura para melhorar o site e levar a iniciativa para mais pa\u00edses. &#8220;Minha inten\u00e7\u00e3o \u00e9 que uma pessoa que tenha estudado na academia possa ter seu conhecimento validado como o de qualquer outra institui\u00e7\u00e3o de ensino.&#8221;<\/p>\n<p>Isso pode acontecer um dia, mas antes Khan ter\u00e1 de fazer crescer a Khan Academy sem perder o jeit\u00e3o informal de suas aulas. O plano \u00e9 contratar pessoas para criar uma estrutura administrativa para o site. O pr\u00f3prio Sal Khan diz que n\u00e3o pretende se envolver na gest\u00e3o e que a ideia \u00e9 continuar com as grava\u00e7\u00f5es no seu miniest\u00fadio. Khan \u00e9 um sujeito el\u00e9trico e fala r\u00e1pido demais, como se sua boca n\u00e3o desse conta de acompanhar a velocidade de seu pensamento. No dia em que conversou com EXAME, publicou mais duas aulas de qu\u00edmica, vistas quase 5 000 vezes em tr\u00eas dias. No dia seguinte, mais duas. Sobre a contrata\u00e7\u00e3o de outros professores, ele \u00e9 reticente. &#8220;N\u00e3o descarto a ideia, mas teria de encontrar outras pessoas que tivessem o mesmo estilo de ensinar.&#8221; A princ\u00edpio, o professor continuar\u00e1 sendo ele mesmo. Capacidade de trabalho n\u00e3o vai faltar.<\/p>\n<p>Fonte: Portal Exame<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As miniaulas de um ex-gestor de fundos j\u00e1 foram vistas mais de 23 milh\u00f5es de vezes no YouTube e chamaram a aten\u00e7\u00e3o do Google e de Bill Gates. 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