Hoje, a Khan Academy contabiliza mais de 40 milhões de visualizações desde que foi criada, em 2009, e mais de 2 mil vídeos postados, divididos por temas. Apesar de as aulas serem em inglês, voluntários podem fazer as traduções, mas a iniciativa é recente e ainda não há vídeos legendados em português.
Mas se o problema for a dificuldade com o idioma, o YouTube tem diversos canais brasileiros com aulas direcionadas. Quem estiver se preparando para o vestibular pode assistir ao conteúdo do sejaferavideos, jesielps2 ou do nerckie, que conta com quase 300 aulas voltadas para o ensino fundamental e médio.
Brasil
Por aqui, o acesso livre aos conteúdos engatinha. A maioria dos sites que produzem videoaulas cobra pelo serviço, mas garantem a qualidade do ensino. O estudante pode comprar pacotes específicos para passar no vestibular, em concursos, ou apenas revisar matérias da escola, da faculdade e até da pós-graduação. Dois sites conhecidos são o Videoaulas Online (www.videoaulasonline.com.br) e o Ensino On-line (www.ensinoonline.com.br).
A estudante de Publicidade e blogueira, Gabrielle Seraine, conheceu as aulas pela internet depois de criar o blog Cata Cursos (www.catacursos.blogspot.com). Hoje, além da faculdade, Gabrielle dedica algumas horas em frente ao computador nas aulas preparatórias para concurso público, com duração de três meses. Por isso, é importante manter disciplina. “Fico no escritório, apago a luz e já aviso para ninguém me atrapalhar. É um momento de concentração. Tenho três meses para ver 192 aulas e preciso me policiar”, diz.

O TED — Ideas Worth Spreading (www.ted.com), ou ideias que vale espalhar, posta palestras com especialistas de diversas áreas das ciências humanas, exatas, de temas políticos e atuais. Hillary Clinton e Steve Jobs estão entre as apresentações mais conhecidas. Os vídeos são em inglês, mas já podem ser vistos em 40 línguas, inclusive o português.A publicitária Sara Levy é visitante assídua do TED. Mesmo assim, não troca a experiência social da sala de aula. “A essência do aprendizado está na interação que você tem com as pessoas, o debate dos alunos com o professor. Na internet, tem muita coisa disponível, mas a forma como você vai aplicar aquilo na sua vida é a grande diferença”, afirma.Outro fã do TED é o professor de inglês Rodrigo Araújo. Ele conhece o site há um ano e, desde então, passa as palestras em sala de aula para os alunos. “Uso o TED para treinar a língua e servir como um instrumento a mais no aprendizado. É uma oportunidade de eles estudarem em casa, pois motiva a pesquisa fora da classe”, afirma.
O professor concorda que o modelo de ensino atual não pode ser trocado pelo estudo na internet e que nada substitui a interação da sala de aula. “O ponto negativo é a perda do contato humano. No modelo de sociedade em que vivemos é preciso respeitar e conviver com a diferença, e uma das melhores formas de trabalhar isso é na escola”, diz.
Aula particular
Os desenhos são feitos no programa SmoothDraw, que permite criar imagens manualmente. Os vídeos duram 10 minutos e a captura é feita com o Camtasia Studio. As vozes de todos os vídeos são do fundador da universidade, Salman Khan.
Mudanças na educação
» O especialista no uso da internet na educação da Universidade de Brasília (UnB), professor Gilberto Lacerda, afirma que a web e as tecnologias de informação derrubam os tradicionais muros da escola e trazem o mundo para dentro da sala de aula. Essa inovação cria contraste entre o tempo do livro e do professor estáticos e o acesso à informação dinâmica. “Estamos em pleno processo de revolução. A escola melhora com o compartilhamento de informações, com a quebra de hierarquias e com o surgimento de outros canais de comunicação além do que já existe entre professor e aluno. Mas são requeridas novas abordagens didáticas, e esse é o grande desafio para a escola e a sociedade”, conclui.